Olá, me chamo Alice , nasci em 1997 e sou de Santa Maria (RS). Comecei a usar o biscuit em novembro de 2023, ano que passei a explorar outros materiais para esculturas.
Sou formada em Artes Visuais Licenciatura Plena em desenho e Plástica, na UFSM desde 2022. Sempre fui apegada ao desenho e principalmente aos mangás japoneses e esse foi um dos motivos que me fez escolher o curso de Artes Visuais. Na universidade realizei dois projetos, sendo um do ateliê de desenho da figura humana e o outro sobre o tcc voltado a educação, ambos tinham em comum o meu estilo de expressão escolhida: Mangás e animes japoneses. Os dois ateliês que escolhi na universidade e que passei muitos anos estudando, foi o de escultura do professor José Francisco Gourlart (eu vivia fazendo esculturas de bustos/rostos de animes com argila nas aulas dele), e o outro foi o ateliê principal de desenho do professor Altamir Moreira, onde desenvolvi uma série de trabalhos artísticos no estilo mangá e do gênero shounen, representando a história apenas visualmente. A história era contada em um único quadro/pintura em aquarela, onde o observador olhava e interpretava os seguintes acontecimentos da cena.
Foi uma pesquisa de condensação de narrativas da arte sequencial.
E minhas questões de pesquisas eram:
• De que modo a condensação de narrativas podem alcançar significados expressivos na arte?
• Que formas de narrativas visuais expressam curiosidade?
• Como usar o trabalho artístico como instigador de pensamentos?
Um ano depois de ter feito esse micro projeto iniciei o pré projeto de licenciatura da qual sou formada, e em seguida meu tcc. Esse projeto do ateliê só teria continuidade caso eu fosse do bacharelado e como sou da licenciatura precisava pensar em como trazer um pouco do meu viver e essa questão para a educação.
Assim se iniciou o meu tcc cujo o nome é: Ilustrações e narrativas como ideias propulsoras na educação das artes visuais.
Resumo do tcc:
O presente Trabalho de Conclusão de Curso de Artes Visuais - Licenciatura Plena investiga possibilidades de trabalhar narrativas e ilustrações em espaços educativos, apresentando como tema central histórias fictícias, mangás e animês. A pesquisa procura problematizar as ilustrações e narrativas, a fim de propiciar o estímulo à imaginação. Destaca-se como problemática a questão: De que forma as narrativas e ilustrações podem mobilizar a imaginação nas aulas de artes visuais? Busca-se assim estabelecer relações entre a imaginação e a realidade para a produção das histórias e ilustrações trazendo como principais referenciais teóricos: Vygotsky (1996, 2004), para pensar a imaginação, McCloud (1995), para entender a presença dos quadrinhos no resultado final da pesquisa e Field (2001), para compreender o processo de criação das cenas. Como método de investigação utilizo a a/r/tografia com a produção artística do ateliê associada a atuação como professora de estágio curricular supervisionado e pesquisadora, ao investigar meios de fazer relações entre o real e o imaginário, tendo como potencializador as leituras de: Dias (2013), Oliveira e Charréu (2016) e Irwin (2013). Como resultados temos a criação e interpretação de histórias, o desenvolvimento de composições de cenas tanto em grupo quanto individuais, ao tirar os estudantes de sua zona de conforto, ao produzir ilustrações e narrativas a partir da criação.
Então nas escolas teve o ensino do exercício sobre expressões faciais dos animes e chibis, ensino sobre o cânone da proporção humana e como usar um ponto de referência para medir objetos e personagens em si. Ao mostrar o passo a passo encorajei muitos estudantes do 8°ano que tinham medo de desenhar e diziam que não sabiam e que seus desenhos eram feios, mas com todas as etapas e ensinando com calma no quadro negro e de mesa em mesa até mesmo os estudantes especiais conseguiram acompanhar as aulas.
Das diversas idéias de planos de aula que usei, o mais marcante pra mim foi o desenho de narração, onde usei uma história voltada ao RPG para que os estudantes criassem composições, no final após contar a história perguntei a eles: Qual foi a cena mais marcante que imaginaram?
Cada um imaginou de uma forma a cena, nunca falei a aparência dos personagens ou descrevi o lugar. Usei apenas as classes(mago,paladino,etc..) para identificar quem eram as pessoas e contei acontecimentos que geravam sentimentos, e assim eles usavam a imaginação para completar o resto e escolher a cena para condensar toda a narrativa. Em outros planos de aula usei também o livro 'manual do roteiro' de Syg Field e 'O Senhor das sombras' de Beuren (Livro de rpg solo), tudo isso partindo da fantasia.
A problemática da pesquisa foi: De que forma as narrativas e ilustrações podem
mobilizar a imaginação nas aulas de artes visuais? Uma das formas de mobilizar a
imaginação utilizando ilustrações, vem a ser o modo que ela é construída e o contexto que está inserida. Em filmes e animações, finais ambíguos ou em aberto geram discussões, mas dependendo do modo como é colocado pode não propiciar o diálogo, um motivo poderia ser a falta de informações durante o processo, e para mobilizar as ilustrações e narrativas poderíamos partir da imaginação de cada estudante.
Tendo em vista o ponto de virada de um roteiro. Apesar de não ter concluído todas as ilustrações com os estudantes, fica aqui as expectativas, pois assim como o artista Zdzislaw Beksinski não colocava nome em suas pinturas, o mesmo ocorre com essas ilustrações, quem as cria não precisa descreve-las, pois fica a cargo do observador visualizar e pensar sobre os possíveis acontecimentos daquela narrativa visual.
Partindo disso inicio meu novo trabalho que é baseado no plano de aula que foi super marcante pra mim. A narrativa visual, ao invés de representar meu traço estilo mangá/anime em uma pintura ou desenho, estarei dando vida no tridimensional com a escultura em porcelana fria, estarei fazendo tanto personalizados quanto releituras de obras no meu estilo, como uma representação as cores são aproximadas as reais, as esculturas serão únicas do seu próprio modo por se tratar de uma reinterpretação.
A narrativa visual vai se dar sobre as pessoas que encomendarem uma modelagem comigo, elas vão descrever os personagens e cenário que querem, e darei vida a essa descrição no meu estilo de modelagem.
E as peças que farei o significado delas estará no imaginário de quem vê, e isso varia de pessoa para pessoa pois cada um que olha interpreta de forma diferente. Minhas modelagens seguiram essa premissa, junto com as vivências dos meus projetos. Um espaço para imaginação e interpretação. As modelagens vão ser feitas para mexer com o imaginário, seja com expressões e movimentos em um personagem só, ou um diorama com pinturas e esculturas espalhadas sobre ele, onde contam um momento exato de uma vida ali criada para o meio em que habita.
Obrigada por terem vindo até aqui conhecer um pouco do meu trabalho.
Atualizado: Consegui completar o curso de cabelos da Jessi Biscuit ^-^